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  • Carmem Farage

A turca do balaio

Com certeza você sabe que no início do século 20, houve uma leva enorme de imigrantes que saíram da recessão da Europa e adjacências para tentar vida no Brasil. Pois é! Houve. Nossos ancestrais vieram para o Brasil de diversas partes do mundo e aqui se instalaram na esperança de construírem uma vida melhor nesta terra que "em se plantando, tudo dá".

Bem, histórias à parte, o que eu quero mesmo contar é que meu avô, Ferez Farage, ficou conhecido como "Seu" Felix. Veio da Síria, juntamente com seus pais e irmãos quando ainda era bem pequeno.





Em determinado momento de sua vida, já rapazote, precisou trabalhar fora da roça para ajudar seus pais com um dinheiro a mais. A família estava instalada num pequeno arraial no interior da Zona da Mata mineira chamado Vista Alegre.

Minha Bisavó, contam, era uma síria muito avantajada em suas medidas corporais e mãe de 23 filhos.

Dizem que todo mês de maio, batizava-se um novo filho nascido...

Mas então, voltando, meu vovô Felix, decidiu sair pelos arredores visitando as fazendas da região, em lombo de burro, carregando quinquilharias preciosas para as donas de casa isoladas naquele fim de mundo: panelas, tecidos, remédios, tinham de tudo. Tudo dentro de balaios e era carinhosamente conhecido como "O Turco do balaio". Uma espécie de shopping ambulante.

Foi assim que um dia ele chegou a uma fazenda de imigrantes Italianos e conheceu minha avó, Carmem Ribeiro (sim, eu tenho o nome dela) e se casaram.

Hoje estou indo passar seis meses na Itália e a história de meus avós tem me vindo á cabeça pois estou partindo para receber minha cidadania Italiana.

Naquela época, o movimento do mundo era o oposto do que vemos hoje. A pobreza e miséria estavam por lá e as pessoas saiam de suas casas, enfrentavam navios duvidosos, sem dinheiro, sem nada, empencados de filhos e ficavam meses navegando sem saberem ao certo o que iriam encontrar. Tinham apenas a promessa de um paraíso tropical, com a ilusão da fartura e do céu azul ensolarado.

Agora, nós do paraíso é que queremos melhorar de vida, quem sabe resgatar o que os ancestrais perderam, tentando retornar à terra perdida.

E, diferentemente de meus avós, parto confortavelmente instalada num aparelho bem mais rápido e seguro que o navio, que rasga os céus e atravessam meio mundo em meio dia.

Posso ir falando com os meus por vídeo-conferência e dando notícias a todos via redes sociais.

Embora tão diferente, evoluímos. E, gosto da ideia de me sentir "A Turca do balaio" chegando na Itália.

Sua benção meu vô, que tô partindo pra mais uma aventura.


# viagem #Itália #aventura #cidadania

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